/Bolsonaro é alvo em ato em SP pelo Dia da Mulher; PMs cobrem os rostos

Bolsonaro é alvo em ato em SP pelo Dia da Mulher; PMs cobrem os rostos

Protestos contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e contra a reforma da Previdência deram o tom no ato que aconteceu hoje em São Paulo pelo Dia Internacional da Mulher. A manifestação teve início no vão livre do Masp, na região central, e desceu para o centro da cidade. Ao longo percurso, foi possível ver bandeiras de cores vermelha (ligada aos partidos de esquerda) e roxa (que representa a causa feminista).

Frases como “ele não, ele nunca” e “Bolsonaro, seu fascistinha, a mulherada vai botar você na linha” foram entoados em coro pelas manifestantes. Cartazes em homenagem à vereadora Marielle Franco (Psol-RJ), assassinada há quase um ano, também são frequentes entre as participantes. Houve ainda gritos em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está preso em Curitiba.

“A placa tem a ver com reivindicar o legado da Marielle, uma pessoa silenciada que representava a luta das mulheres e, especialmente, das mulheres negras”, diz Maria Clara Ferreira, 26, militante do movimento Nossas Vidas Importam, uma das correntes do Psol.

A nossa intenção é, diretamente, protestar contra o presidente. Todo o pacote da reforma da previdência vai afetar as mulheres, que sempre têm menos acesso aos seus direitos
Maria Clara Ferreira, do movimento Nossas Vidas Importam

Em um carro de som, uma manifestante criticou a “volta do neoliberalismo no Brasil”. “O estado mínimo significa falta de saúde, falta de educação aos nossos filhos. E as mulheres que sofrem mais com isso”, disse.

Maria Arapoty Guarani faz parte de uma comitiva de 15 indígenas que saiu do pico do Jaraguá para participar do ato.

“Ele [Bolsonaro] já está conseguindo tirar nossos direitos: demarcação de terras, saúde, educação. A gente vem hoje fazer esse ato com as mulheres porque somos indígenas e existimos também. Bolsonaro tem que respeitar os indígenas também”.

Ana Carla Bermúdez/UOL

Imagem: Ana Carla Bermúdez/UOL

Uma das marchinhas de protesto a Bolsonaro tocada por blocos de Carnaval no último fim de semana também foi cantada no ato das mulheres: “ai, ai, ai, Bolsonaro é um cara*”.

Entre outras palavras de ordem, os manifestantes protestaram contra a posse de armas, uma das principais agendas de governo de Bolsonaro. “Ô Bolsonaro, seu imbecil, eu quero ver para quê eu preciso de fuzil”, dizem.

Cerca de seis quarteirões, em uma única faixa da Paulista, foram ocupados por cerca de 60 mil manifestantes, segundo dados divulgados pela organização do ato. A PM (Polícia Militar) não divulgou estimativa de público.

PMs ficam com rostos cobertos

Cerca de 30 policiais militares acompanharam a manifestação usando uma touca anti-chamas, a chamada balaclava. A veste tapa todo o rosto dos oficiais e, segundo um tenente da PM que não quis se identificar, é utilizada por determinação do Baep (Batalhões da Polícia Militar do Estado de São Paulo).

Segundo o tenente, a ação é uma precaução para casos de confronto em que são lançados explosivos do tipo coquetel molotov. Não houve registro de nenhuma ocorrência ao longo da manifestação, porém, de acordo com a PM.

Ana Carla Bermúdez/UOL

Manifestantes fazem cordão para bloquear a passagem de carros na Paulista Imagem: Ana Carla Bermúdez/UOL

O ato seguiu pela rua Augusta, continuou pela Caio Prado e pela Consolação até chegar na praça Roosevelt, onde terminou pouco antes das 21h.

Por volta das 18h30, manifestantes fizeram um cordão para bloquear a passagem de carros na avenida Paulista, na altura da rua Peixoto Gomide, sentido bairro. Fazendo sinais, eles pediam para que os carros fizessem um desvio no trajeto. Inicialmente, a Polícia Militar havia bloqueado a via apenas no sentido Consolação.

Protestos contra Doria e Covas

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também foi criticado pelos manifestantes, através de gritos de “Ele não, e o Doria também não”. A reportagem também viu uma máscara com o rosto do prefeito Bruno Covas (PSDB). 

Um símbolo com os dizeres “Mulheres contra Bolsonaro” foi projetado na parede de um prédio próximo à esquina com a rua Marquês de Paranaguá. 

Na mesma esquina, manifestantes se juntaram para bloquear o trânsito durante a passagem do ato. Dois motoqueiros tentavam passar, mas foram convencidos pelos manifestantes a dar a meia-volta. A reportagem não encontrou nenhum agente da CET próximo ao local.