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Mais de 10 mil pacientes renais correm risco com apagão na Venezuela, denuncia ONG

CARACAS — Prejudicados por mais de 48 horas sem
eletricidade
, pacientes renais enfrentam uma situação crítica na
Venezuela
, devido à impossibilidade de realizar diálises por falta de luz, denunciou a ONG Codevida. Segundo Francisco Valencia, diretor da organização, 15 pacientes teriam morrido entre sexta-feira e sábado. No total, nove mortes teriam ocorrido em Zulia. Mais cedo, a oposição denunciou dezenas de mortes devido à queda de energia — ao menos 13 em um hospital do estado de Monagas — o que o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, classificou como “falso”.

A situação é mais dramática nos estados do interior, que vivem um blecaute ininterrupto. Em Caracas, houve restabelecimento em alguns setores por algumas horas.

— A situação das pessoas com insuficiência renal é muito crítica. Queremos dizer que 95% das unidades de diálise, que hoje chegariam a 100%, estão paralisadas devido ao corte de luz — denunciou à AFP o diretor da ONG, Francisco Valencia.

Valencia alertou que os pacientes já começam a enfrentar complicações, que poderiam levar à morte de mais de 10,2 mil pacientes.

— Na sexta-feira, 48 crianças que dependem da única unidade de diálise pediátrica do país não puderam fazer o tratamento, o que se soma à falta de remédios e insumos, que se prolonga por anos.

Em meio a um apagão intermitente, que começou na quinta-feira, Caracas amanheceu neste sábado dividida entre apoiadores do líder opositor venezuelano Juan Guaidó — que convocou uma nova manifestação — e do governo de Nicolás Maduro. Durante a manhã, o foco de tensão esteve na manifestação da oposição, onde a Guarda Nacional Bolivariana tentou afastar manifestantes usando gás lacrimogêneo, uma demonstração de força mais intensa do que a registrada em protestos anteriores.

Sem palco, Guaidó discursa de cima de carro Foto: MATIAS DELACROIX / AFP
Sem palco, Guaidó discursa de cima de carro Foto: MATIAS DELACROIX / AFP

As marchas ocorrem menos de uma semana após o giro pelo mundo feito por Guaidó em visita a chefes de Estados da região; e menos de 48 horas após o apagão que deixou Caracas e praticamente todo o território nacional sem luz e 96% da população sem internet, segundo do observatório de medição Netblocks. 

Na quinta-feira, o governo atribuiu o blecaute a um ataque cibernético ao sistema de controle informatizado da usina de Guri, que fornece 80% da energia do país, e prometeu apresentar provas. Neste sábado, em um palanque, Maduro citou quatro supostos ataques: dois cibernéticos, um eletromagnético e um causado por um incêndio em uma subestação no sul do país “fundamental para a distribuição de energia”.

— Descobrimos que eles estavam realizando ataques científicos de alta tecnologia, o que nossos especialistas chamam de ataques eletromagnéticos, para sabotar o processo de reconexão. Isso afetou o restabelecimento da eletricidade que chegou a ser parcialmente realizado em Caracas — disse, prometendo que a eletricidade voltaria “nas próximas horas” e pedindo paciência e calma.