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Vizinhos da escola de Suzano relatam como ajudaram alunos após massacre

O massacre em uma escola de Suzano (SP), no dia 13/3, chocou o país. Um adolescente e um homem encapuzados entraram na Escola Estadual Raul Brasil e fizeram dez vítimas, incluindo alunos, funcionárias da unidade e o tio de um dos atiradores, além de vários feridos.

Patrícia Poeta, que estava em São Paulo no dia do tragédia, foi até Suzano e conversou com algumas pessoas que moram em torno da escola, e que prestaram assistência aos alunos que fugiram do local.

Moradora de Suzano conta como ajudou alunos que correram em direção a sua casa — Foto: TV GloboMoradora de Suzano conta como ajudou alunos que correram em direção a sua casa — Foto: TV Globo

Moradora de Suzano conta como ajudou alunos que correram em direção a sua casa — Foto: TV Globo

Wilson, que trabalha em uma oficina, conta que viu o momento da correria:

“As meninas entraram correndo e falaram que era tiro. Fomos lá, corremos e fechamos o portão da oficina. Ouvimos tiros e as meninas ficaram aqui dentro.”

Marilene, que mora perto da escola, revela que não consegue esquecer a cena de terror que tomou conta daquela manhã:

“Eu estava no meu quintal, ouvi muita gritaria e vi muita gente correndo. Fiquei muito apavorada. Um rapaz todo ensanguentado sentou aqui no chão. Ligamos para o hospital. Ele levou um tiro de raspão no maxilar. Foi muito feio. Graças a Deus ele foi atendido e passa bem.”

Massacre em escola de Suzano mobilizou a região e chocou o país — Foto: TV GloboMassacre em escola de Suzano mobilizou a região e chocou o país — Foto: TV Globo

Massacre em escola de Suzano mobilizou a região e chocou o país — Foto: TV Globo

Quem também ajudou os alunos foi Nathan. Ele diz que ficou muito abalado com tudo o que aconteceu:

“Meninos correndo, pedindo ajuda, socorro. A gente não sabia se ficava com eles ou se ia ajudar lá. Também sou educador… a gente sente. São crianças, né.”

Especialistas comentam o assunto




Especialista em segurança pública e psiquiatra debatem sobre o massacre em Suzano

Especialista em segurança pública e psiquiatra debatem sobre o massacre em Suzano

A psiquiatra Katia Mecler esteve no É de Casa e conversou com Zeca Camargo e Ana Furtado sobre o acontecimento. Ela ressaltou a importância de não cobrar medidas apenas de uma área:

“As palavras-chave nesse momento são: atenção, assistência e dedicação. Não dá para cobrar só dos pais, às vezes eles também não tiveram assistência em algum momento. Temos que pensar em uma rede de suporte.”

Fernando Veloso, especialista em segurança pública, também falou sobre a tragédia e complementou o que Katia disse sobre ter cautela ao procurar possíveis culpados:

“A responsabilidade é de todos nós. Temos que cobrar do Estado e da polícia para fazer a parte deles. Mas nós, pais e educadores, temos que ver que a situação passa pela gente também. Existem programas de prevenção implantados em vários locais, que são metodologias que fazem o meio de campo com os jovens.”

Ana Furtado e Zeca Camargo recebem especialistas para comentarem sobre a tragédia de Suzano, no É de Casa' — Foto: TV GloboAna Furtado e Zeca Camargo recebem especialistas para comentarem sobre a tragédia de Suzano, no É de Casa' — Foto: TV Globo

Ana Furtado e Zeca Camargo recebem especialistas para comentarem sobre a tragédia de Suzano, no É de Casa’ — Foto: TV Globo

Ele também explicou como surgem alguns sinais entre os jovens e contou como eles conseguem navegar anonimamente por campos perigosos da internet:

“Alguns jovens dão sinais, como uma atitude mais introspectiva. Muitos acessam uma parte da web chamada dark net. A ponta do iceberg é o mundo da internet que a gente frequenta. A deep web está abaixo, onde tem unidades terroristas, é um ambiente perigoso. E dentro dele tem a dark net.”

Após o massacre, muitas pessoas comentaram na internet sobre o ocorrido, citando o bullying como motivação dos atiradores. Katia falou sobre o tema e disse que não tem como pensar em uma motivação isolada:

“O bullying pode ser um dos fatores. Mas a maioria das pessoas que sofre bullying não vai cometer atos violentos. Tem que ficar o tempo inteiro atento para esse fenômeno. Vítimas de bullying ou qualquer tipo de abuso, têm tendência a terem um padrão de vítimas de relações abusivas ou serem abusadores. Mas isso por si só não explica um fenômeno como esse.”

Ela também fez um alerta sobre os possíveis traumas causados por esse tipo de tragédia:

“Não podemos ficar perpetuando muito ódio, aquela sede de vingança, ou o medo exagerado. As crianças precisam se sentir seguras, mas claro, ficando espertas e atentas.”