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Servidora do Fala com a Márcia é ouvida em CPI no Rio

A servidora Márcia Nunes foi ouvida nesta terça-feira (19) em Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Vereadores do Rio que investiga irregularidades no Sisreg – o sistema que regula o atendimento em hospitais do município.

Funcionária da companhia de lixo do Rio, a Comlurb, Márcia ganhou notoriedade no episódio que ficou conhecido como “Fala com a Márcia, em que o prefeito Marcelo Crivella (PRB) indicou o nome dela a líderes religiosos como uma forma de agilizar o atendimento na rede municipal de saúde.

Nesta terça, Márcia disse a parlamentares que na época da reunião apenas recomendou aos fieis que procurassem a Clínica da Família.

Ex-assessora de Crivella no Senado, Márcia reconheceu ter trabalhado na campanha do político à prefeitura, em 2016, e afirmou que conseguia assessorar o então postulante graças a “horário flexível” na Comlurb.

Por isso, na versão dela, acompanhava o prefeito em encontros também da área da Saúde.

“A minha função era estar assessorando o prefeito. Eu tenho meu trabalho na Comlurb, sou coordenadora técnica, e com essa formação de assistente social a gente recebe pessoas com vários problemas. Agora, acompanhava o prefeito em alguns eventos até externo.”

Servidora Márcia é ouvida em CPI do Sisreg — Foto: Gabriel Barreira / G1Servidora Márcia é ouvida em CPI do Sisreg — Foto: Gabriel Barreira / G1

Servidora Márcia é ouvida em CPI do Sisreg — Foto: Gabriel Barreira / G1

Rodeada por parlamentares, a servidora se queixou da repercussão do caso.

“Foi algo que me prejudicou muito como pessoa. Sempre fui uma pessoa simples, nunca busquei estar aparecendo e divulgando. Esse caso ‘Márcia’ me afetou, psicologicamente, emocionalmente, me atingiu muito. Alguém quis divulgar essa questão do prefeito e apelidou esse caso de Márcia, mas não sei o porquê disso.”

“Eu era especializada em ouvir as pessoas. Às vezes a pessoa só queria ser ouvida, essa era a minha função (nas agendas com o prefeito)”, acrescentou a servidora.

No encontro, Crivella dizia para que a servidora fosse procurada pelos “irmãos” que tivessem “alguém na igreja com problema de catarata” ou varizes. O encontro foi noticiado inicialmente pelo “O Globo”.

Além de Márcia Nunes, outros três funcionários da Prefeitura do Rio serão ouvidos: Diogo Marques Corrêa, coordenador de Políticas Antidrogas; Milton Barros Filho, coordenador do IplanRio; e Marcos Paulo de Oliveira Luciano, do gabinete do prefeito.

A CPI, aberta em setembro, conseguiu, em fevereiro, prorrogação por mais 60 dias. Os parlamentares investigam se houve oferta ofertas de serviços públicos visando a atender igrejas evangélicas e também suposta agilização de tramitação de projetos de isenção de IPTU para templos religiosos.