/Sonho da casa própria durou apenas 3 meses para a família com 3 mortos na Muzema, diz amigo

Sonho da casa própria durou apenas 3 meses para a família com 3 mortos na Muzema, diz amigo

Um amigo do maranhense Hiltonberto Rodrigues Souza, que morreu junto com a mulher e o filho no desabamento de um dos prédios do Condomínio Figueira do Itanhangá, na Muzema, Zona Oeste do Rio nesta sexta-feira (12), contou que ele tinha se mudado em janeiro para o prédio e estava muito feliz de realizar o sonho da casa própria.

Isabele, 4 anos, a caçula da família foi a única sobrevivente. O RJ1 desta sexta mostrou a menina na casa de vizinhos e na companhia de um tio. Isabele teve apenas ferimentos leves e foi encontrada nos escombros. A vizinha que abrigou a menina disse que ela estava em estado de choque e só falava em alguma coisa que “escorregou” e ela caiu. Veja vídeo abaixo.




Menina de 4 anos sobrevivente do desabamento está com vizinha e sem notícias da família

Menina de 4 anos sobrevivente do desabamento está com vizinha e sem notícias da família

Raimundo Péres disse que a família estava começando uma nova fase da vida. Ele mora em Rio das Pedras e conhecia a família de Hiltonberto há 7 anos.

“Ele estava feliz da vida. Falou comigo que era uma vitória ter saído de lá onde morava e ter conseguido um apartamento melhor. Ele falava que tava morando bem”, comentou

Morador de um quitinete em Rio das Pedras, o lanterneiro disse ao amigo que juntou as economias de 7 anos de trabalho na oficina onde era empregado e pagou R$ 60 mil por um apartamento no 4° andar de um dos prédios do Condomínio Figueira do Itanhangá, também na Zona Oeste.

A menina Isabele algumas horas depois de ter sido encontrada no desabamento — Foto: Reprodução/TV Globo A menina Isabele algumas horas depois de ter sido encontrada no desabamento — Foto: Reprodução/TV Globo

A menina Isabele algumas horas depois de ter sido encontrada no desabamento — Foto: Reprodução/TV Globo

Hiltonberto comprou o apartamento em outubro de 2018 e reformou o imóvel do seu jeito para poder levar a mulher Maria de Nazaré e os dois filhos:Hilton Guilherme, de 12 anos, e Isabele, de 4 anos, a caçula da família.

“Era um cara trabalhador. Gente boa demais. Um grande amigo. Foi vizinho de parede colada. No último Natal a gente comprou um porco junto para reunir as famílias. É muito triste. O cara era um parceirão mesmo”, lamentou Raimundo.

Da esquerda para a direita: Maria Nazaré (mãe)/ Hiltonberto (pai); Isabele (filha) e Hilton (filho) — Foto: Arquivo PessoalDa esquerda para a direita: Maria Nazaré (mãe)/ Hiltonberto (pai); Isabele (filha) e Hilton (filho) — Foto: Arquivo Pessoal

Da esquerda para a direita: Maria Nazaré (mãe)/ Hiltonberto (pai); Isabele (filha) e Hilton (filho) — Foto: Arquivo Pessoal

Hiltonberto e Maria de Nazaré foram retirados mortos do local do desmoronamento. O filho do casal foi resgatado com vida no final desta sexta-feira, depois de mais de 15 horas soterrado. Somente Isabelle sobreviveu. Testemunhas contaram que Hiltonberto teria retirado a filha do local.

Uma vizinha que deu abrigo para a menina disse que ela foi encontrada em estado de choque e

Raimundo Péres, amigo de Hiltonberto Souza, um dos mortos na tragédia da Muzema, no Rio — Foto: Raoni Alves/G1Raimundo Péres, amigo de Hiltonberto Souza, um dos mortos na tragédia da Muzema, no Rio — Foto: Raoni Alves/G1

Raimundo Péres, amigo de Hiltonberto Souza, um dos mortos na tragédia da Muzema, no Rio — Foto: Raoni Alves/G1

Hilton Guilherme foi socorrido de ambulância para o Hospital Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul. O adolescente de 12 anos chegou no hospital com uma fratura em uma das pernas e ferimentos no rosto, mas consciente. Morreu enquanto era submetido a uma cirurgia, já neste sábado.

“O filho dele vivia na porta da minha casa brincando. Em fevereiro agora eles foram para o Maranhão rever os parentes. Ele estava muito feliz com vida nova”, acrescentou.

Os parentes da família de Hiltonberto estiveram no Instituto Médico Legal neste sábado (13). Por volta das 16h, o corpo do menino ainda está no Hospital Miguel Couto. Eles informaram que um parente deles que vive no Maranhão vai pedir no cartório onde o adolescente foi registrado a segunda via da certidão de nascimento dele para a liberação do corpo. A família quer que eles sejam enterrados no Maranhão.

Arte mostra local dos desabamentos na Muzema — Foto: Editoria de Arte/G1Arte mostra local dos desabamentos na Muzema — Foto: Editoria de Arte/G1

Arte mostra local dos desabamentos na Muzema — Foto: Editoria de Arte/G1