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Uma semana após queda de prédios, moradores da Muzema cobram serviços básicos na comunidade

Uma semana após o desabamento de dois prédios na Muzema, moradores da comunidade na Zona Oeste do Rio vivem entre o silêncio decretado por milicianos e a busca pelo mínimo de cidadania. Eles reivindicam serviços básicos para a região – alguns interrompidos desde antes dos desabamentos dos prédios, durante as chuvas que já tinham causados 10 mortes na cidade.

“Tem pessoas que não saem de casa, estão ilhados e não têm nenhuma assistência. Se não tivesse tido a tragédia, talvez isso tivesse passado despercebido”, avalia Bruno Rodrigues, de 29 anos.

Enlameadas, ruas na parte baixa da Muzema têm esgoto correndo e entulho  — Foto: Arquivo PessoalEnlameadas, ruas na parte baixa da Muzema têm esgoto correndo e entulho  — Foto: Arquivo Pessoal

Enlameadas, ruas na parte baixa da Muzema têm esgoto correndo e entulho — Foto: Arquivo Pessoal

Bruno é sobrinho de Cláudio Rodrigues, a 1ª vítima identificada no desastre que, até a última atualização do Corpo de Bombeiros, havia deixado 20 mortos.

O tio de Bruno, que também era vice-presidente da Associação de Moradores e Amigos da Muzema, vivia num dos prédios com a mulher Adilma e a filha Clara, de 10 anos. Ambas sobreviveram ao desabamento.

Cláudio é uma das vítimas do desabamento na Muzema — Foto: Reprodução/FacebookCláudio é uma das vítimas do desabamento na Muzema — Foto: Reprodução/Facebook

Cláudio é uma das vítimas do desabamento na Muzema — Foto: Reprodução/Facebook

Cláudio chegou a ser socorrido para uma unidade de saúde, mas teve o pulmão perfurado na queda e não resistiu ao ferimento. Segundo contou o sobrinho, Cláudio e a família haviam se mudado para a parte alta da Muzema na sexta-feira anterior à tragédia.

A ida para um ponto mais alto na comunidade era uma “fuga” para a família de Cláudio. De acordo com o sobrinho, o tio queria dar uma vida melhor à mulher e filha, e sair da Rua Ana Marta, uma das principais vias na parte baixa da comunidade e conhecido ponto de alagamento.

Bombeiros buscam vítimas em prédio que desabou na Muzema — Foto: Reprodução/JNBombeiros buscam vítimas em prédio que desabou na Muzema — Foto: Reprodução/JN

Bombeiros buscam vítimas em prédio que desabou na Muzema — Foto: Reprodução/JN

É o que uma pessoa que pediu para não ser identificada mostra em vídeos enviados ao G1. Passados 10 dias do temporal que atingiu o Rio, na Muzema o esgoto continua a vazar a céu aberto e um canal dentro da comunidade está tomado pela lama e lixo que desceram de encostas.

Outro morador reclamou da falta de assistência do poder público. Segundo ele – que também pediu para não ser identificado – grande parte do trabalho de retirada de entulho, escombros e lama de dentro da Muzema tem sido feito pelos próprios moradores.

Interior de igreja com pontos de acúmulo de água e lama — Foto: Arquivo PessoalInterior de igreja com pontos de acúmulo de água e lama — Foto: Arquivo Pessoal

Interior de igreja com pontos de acúmulo de água e lama — Foto: Arquivo Pessoal

Em nota, a Prefeitura do Rio informou que “enquanto as equipes do Corpo de Bombeiros estiverem trabalhando na operação de resgate de vítimas, nenhuma ação será feita”.

A Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) disse ter recolhido nesta quinta-feira (18) cerca de 40 toneladas de terra e resíduos na região do Itanhangá: Muzema, Tijuquinha e Rio das Pedras.

Ao todo, a companhia informou que as equipes já removeram 2.525 toneladas de resíduos em toda a região.




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O engenheiro-sanitarista Maurício Cleinman indica a falta de planejamento urbano como um dos principais problemas na Muzema. Ele esclareceu que ao projetar determinado bairro é necessário que o plano seja o mais próximo possível daquilo que ele possa ser, por exemplo, em 20 anos.

“É preciso fazer um estudo de população para checar qual será o crescimento e com isso dimensionar as redes de água e esgoto. Também é preciso fazer um planejamento de como proteger os prédios de uma enxurrada dessa”, pontuou o especialista.

E é exatamente para prevenir novos desabamentos que a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação (SMUIH) informou ter feito o escoramento de prédios ao lado da área de desabamento.

Enlameadas, ruas na Muzema têm esgoto correndo e entulho  — Foto: Arquivo PessoalEnlameadas, ruas na Muzema têm esgoto correndo e entulho  — Foto: Arquivo Pessoal

Enlameadas, ruas na Muzema têm esgoto correndo e entulho — Foto: Arquivo Pessoal

“Assim que a área estiver liberada, três prédios serão demolidos: os ao lado da área do desabamento e o logo acima”, divulgou a pasta.

A Prefeitura também comunicou que a Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil isolou preventivamente toda a área e interditou, parcialmente e totalmente, 13 imóveis que apresentavam risco estrutural.

Paloma e filho foram reunidos pela primeira vez após desabamento — Foto: Reprodução/TV GloboPaloma e filho foram reunidos pela primeira vez após desabamento — Foto: Reprodução/TV Globo

Paloma e filho foram reunidos pela primeira vez após desabamento — Foto: Reprodução/TV Globo

Nesta quinta-feira (18), foram reunidos pela primeira vez desde a tragédia mãe e filho que sobreviveram à queda dos dois prédios. Paloma Paes Leme e um filho agora estão no mesmo quarto. Paloma perdeu outros três filhos no desabamento.

Ao sair do CTI do hospital Miguel Couto, na Gávea, ela disse que não sai mais de perto do filho “nunca mais”.

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