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Fizeram um estrago muito grande, diz irmão de gari comunitário morto a tiros no Vidigal

O auxiliar de serviços gerais Nilson de Mendonça Santos Silva, de 43 anos, irmão do gari comunitário William de Mendonça Santos, de 42, morto a tiros nesta segunda-feira, no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio, disse que tão difícil quanto a perda do irmão foi dar a notícia à mãe deles, de 69 anos. Nilson compareceu ao Instituto Médico Legal (IML) na manhã desta terça-feira, acompanhando de outros familiares, para fazer o reconhecimento do corpo.

Ele contou que, segundo relatos de moradores, os disparos que atingiram seu irmão partiram da polícia, que fazia operação numa localidade conhecida como 314. A Polícia Militar disse que PMs trocavam tiros com bandidos na comunidade quando encontraram William já baleado.

– Fizeram um estrago muito grande. Meu irmão saiu para trabalhar de tarde. Quando começou o tiroteio, ele saiu atrás do filho mais novo e, quando desceu, aconteceu esse acidente – lamentou o irmão da vítima.

O gari comunitário William Mendonça
O gari comunitário William Mendonça

Nilson contou que William ainda tentou se proteger, mas não conseguiu. Foi atingido por pelo menos dois disparos. Segundo familiares, ele foi socorrido pelos próprios policiais, que o levaram ainda com vida e envolto num lençol para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu e morreu.

– Ainda não caiu a ficha. Nós não estamos acreditando que isso aconteceu – disse Nilson.

William era o do meio, numa família de 9 irmãos. A maioria mora no Vidigal. Muito unidos, todos passaram o feriado da Sexta-Feira Santa em companhia da mãe, que reside na Chácara do Céu. O gari comunitário deixa três filhos, o mais novo, de 13 anos.

Para Denise Rivera, vice-presidente da Associação de Peritos do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), somente um confronto balístico poderá confirmar se os disparos que mataram o gari comunitário partiu mesmo das armas dos policiais, que teriam de ser recolhidas para exames.

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